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O Desaparecimento de Maura Murray: A Estudante que Sumiu em New Hampshire
20 de mar. de 2026Casos Frios6 min de leitura

O Desaparecimento de Maura Murray: A Estudante que Sumiu em New Hampshire

Maura Murray bateu o carro numa estrada de New Hampshire em 9 de fevereiro de 2004 e desapareceu antes que a polícia chegasse. O caso jamais foi resolvido.

Na noite de 9 de fevereiro de 2004, um Saturn preto derrapou na Route 112 em Haverhill, em New Hampshire, batendo em algumas árvores perto de um celeiro vermelho desgastado pelo tempo. Um morador local, Butch Atwood, parou para ajudar. A jovem atrás do volante — bonita, de cabelos castanhos — garantiu-lhe que já havia ligado para a AAA. Recusou sua oferta de chamar a polícia.

Atwood dirigiu até sua casa, a apenas 100 metros de distância, e ligou para o 911 mesmo assim. Em sete a oito minutos, o sargento Cecil Smith, da Polícia de Haverhill, chegou ao local.

O carro estava lá. A mulher, não.

Maura Murray havia desaparecido na escuridão gelada de New Hampshire. Ela jamais foi vista novamente.

Uma Vida se Desfazendo

Maura Murray, de 21 anos, parecia ter tudo a seu favor. Estudante de enfermagem na Universidade de Massachusetts em Amherst, era uma corredora talentosa que havia competido nas equipes de cross-country e atletismo em West Point antes de se transferir. Era bonita, popular e parecia destinada a um futuro brilhante.

Mas os dias que antecederam seu desaparecimento contam uma história diferente — a de uma jovem cuja vida estava silenciosamente se desmoronando.

O problema começou na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004. Maura estava no seu turno como guarda de segurança em uma galeria de arte do campus quando recebeu um telefonema. Sua supervisora a encontrou depois, angustiada e sem reação, quase catatônica. Maura só conseguiu dizer que sua irmã havia ligado e que algo a havia perturbado. O teor dessa conversa jamais foi revelado.

Dois dias depois, Maura bateu o carro do pai. Ela o havia pegado emprestado para o fim de semana enquanto o próprio carro estava na oficina. Nas primeiras horas de domingo, bateu contra um guard-rail enquanto dirigia sozinha. Ela não se feriu, mas o carro ficou com danos significativos.

Então veio a segunda-feira, 9 de fevereiro — o dia em que Maura Murray desapareceu.

As Últimas Horas

Naquela manhã, Maura realizou uma série incomum de atividades que mais tarde alimentariam especulações intermináveis. Ela pesquisou no MapQuest as rotas para Burlington, Vermont, e para a região das Berkshires, em Massachusetts — ambos destinos populares para fins de semana. Enviou e-mails para seus professores e para o trabalho, alegando ter ocorrido uma morte na família e que precisaria se ausentar por uma semana. Não havia nenhuma morte.

Ela sacou 280 dólares de sua conta bancária — quase todo o dinheiro que tinha. Encheu o carro com roupas, artigos de higiene e livros didáticos. Em uma loja de bebidas, comprou 40 dólares em álcool: Kahlúa, vodca, Bailey's e uma caixa de vinho Franzia.

Por volta das 16h, Maura partiu de Amherst em seu Saturn preto. Seguiu em direção ao norte, rumo a New Hampshire.

Às 19h27, o carro bateu em árvores na Route 112 em Haverhill, num trecho rural que serpenteia pelas Montanhas Brancas. Os airbags dispararam. O carro estava danificado, mas dava para dirigir.

No intervalo entre o momento em que Butch Atwood foi embora e a chegada do sargento Smith — uma janela de talvez sete minutos — Maura Murray desapareceu.

A Investigação

A polícia tratou inicialmente o caso como um simples acidente de dirigir embriagado, com a motorista fugindo para evitar a prisão. Maura havia bebido — um pano enfiado no escapamento do Saturn (um remédio popular para um carro que solta fumaça) e álcool no carro corroboravam essa teoria. A suposição era de que ela havia caminhado para a floresta e seria encontrada em breve.

Não foi.

Cães farejadores foram trazidos e rastrearam seu cheiro por 30 metros a leste do local do acidente — depois o perderam. O rastro simplesmente desapareceu. Uma busca em larga escala na floresta ao redor não encontrou nada. Nenhum corpo. Nenhuma roupa. Nenhuma evidência de que ela havia se aventurado pela floresta congelada.

A família de Maura desconfiou imediatamente que algo mais sinistro havia ocorrido. Seu pai, Fred Murray, passou duas décadas investigando o desaparecimento da filha, convicto de que ela foi vítima de um ato criminoso — possivelmente pegando carona com alguém que lhe causou mal.

A polícia local e os investigadores estaduais sustentaram que o cenário mais provável é que Maura sucumbiu aos elementos na floresta, e o corpo simplesmente não foi encontrado. As Montanhas Brancas são vastas, implacáveis e já engoliriam excursionistas antes.

As Teorias

Ao longo dos anos, inúmeras teorias surgiram sobre o que aconteceu com Maura Murray.

A Teoria da Fuga: Maura estava escapando de seus problemas — o estresse da faculdade, os acidentes de carro, o que quer que a tenha perturbado naquele telefonema. Ela desapareceu deliberadamente para começar uma nova vida. Segundo essa teoria, ela pode ter entrado voluntariamente em um veículo que passava, fugindo para um lugar onde não seria encontrada.

A Teoria da Hipotermia: Desorientada e possivelmente embriagada, Maura se embrenhrou na floresta para se esconder da polícia. No frio de fevereiro, a hipotermia teria se instalado rapidamente. Seu corpo pode estar em algum lugar na vasta floresta, não encontrado pelos buscadores.

A Teoria do Crime: Alguém — um predador local ou um estranho de passagem — se deparou com o local do acidente e ofereceu carona a Maura. Ela aceitou, sem perceber que estava entrando no carro de alguém com más intenções.

A Teoria do Segundo Motorista: Maura não estava sozinha naquela noite. Alguém a seguia em outro veículo. Quando ela bateu o carro, essa pessoa a apanhou, e algo deu errado.

Cada teoria tem seus defensores e seus críticos. Nenhuma jamais foi comprovada.

As Testemunhas

O caso é complicado por depoimentos contraditórios de testemunhas. Butch Atwood disse que Maura estava sozinha e parecia bem, apesar de estar abalada. Mas outro morador local, Faith Westman, disse ter visto um homem fumando um cigarro perto do carro. Maura tinha um companheiro? Ou Westman viu o próprio Butch Atwood?

Uma mulher chamada Karen McNamara afirmou ter passado pelo local e visto alguém olhando freneticamente ao redor do carro. Outras testemunhas relataram ter visto uma SUV policial — não a viatura do sargento Cecil Smith — no local. Isso alimentou teorias sobre envolvimento policial ou um encobrimento.

A verdade é que, numa noite escura de inverno numa estrada rural de New Hampshire, as memórias de testemunhas oculares são, na melhor das hipóteses, não confiáveis.

A Cruzada de um Pai

Ninguém fez mais para manter vivo o caso de Maura Murray do que seu pai, Fred. Ex-físico nuclear convertido em estudante de enfermagem (seguindo o caminho de carreira pretendido pela filha), Fred investigou pistas, pressionou a polícia, entrou com ações para obter os arquivos do caso e dedicou sua aposentadoria a encontrar respostas. O desaparecimento de Elaine Park apresenta uma advocacia familiar igualmente sustentada nos anos após o evento, com lacunas comparáveis no registro oficial.

Sua relação com as autoridades policiais foi contenciosa. Ele acredita que a investigação inicial foi mal conduzida — que a polícia descartou o caso como uma fuga ou suicídio quando deveria estar investigando como um possível sequestro. Ele acusou publicamente determinados indivíduos de envolvimento, o que gerou batalhas jurídicas.

Fred Murray não busca apenas fechamento. Ele quer justiça. E, vinte anos depois, ainda está procurando.

O Mistério Persistente

O caso Maura Murray se tornou um fenômeno cultural. Múltiplos podcasts, documentários e livros foram dedicados a ele. Investigadores amadores desceram sobre Haverhill, refazendo sua rota, entrevistando moradores, vasculhando a floresta com cães de cadáver.

Em 2017, uma equipe de casos frios foi formada para reinvestigar. O procurador-geral assistente sênior de New Hampshire, Jeffery Strelzin, declarou que o caso permanece como "uma investigação criminal aberta e ativa" — usando notavelmente a palavra "criminal."

Mas apesar de toda a atenção, nenhuma resposta definitiva emergiu. Nenhum corpo foi encontrado. Nenhuma testemunha apresentou a peça crucial que falta. Ninguém foi preso.

Em algum lugar nas Montanhas Brancas — ou talvez em algum outro lugar — a verdade sobre o desaparecimento de Maura Murray permanece oculta. Seu carro ainda aparece abandonado naquele trecho escuro da Route 112, para sempre congelado às 19h27 de uma noite fria de fevereiro.

O que aconteceu nesses sete minutos vai assombrar sua família, os investigadores e os milhares de desconhecidos que se tornaram obcecados com seu caso até o dia em que alguém finalmente disser a verdade. Para o desaparecimento americano mais antigo ainda registrado nos arquivos, veja o caso Dorothy Arnold, de 1910 — um século das mesmas perguntas sem resposta.


Se você tiver alguma informação sobre o desaparecimento de Maura Murray, entre em contato com a Unidade de Casos Frios de New Hampshire pelo telefone (603) 271-2663.

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