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Jack, o Estripador e os Assassinatos de Whitechapel: O Caso Não Resolvido Mais Famoso da História
28 de mar. de 2026Casos Frios6 min de leitura

Jack, o Estripador e os Assassinatos de Whitechapel: O Caso Não Resolvido Mais Famoso da História

Jack, o Estripador aterrorizou Whitechapel em 1888, assassinando cinco mulheres com precisão cirúrgica. Apesar de 137 anos de investigações e alegações de DNA, sua identidade permanece desconhecida.

No outono de 1888, um assassino percorria as ruas envoltas em névoa do East End de Londres. Ao longo de apenas dez semanas, pelo menos cinco mulheres foram mortas com uma selvageria que a Inglaterra vitoriana jamais havia testemunhado. Suas gargantas foram cortadas até a espinha. Seus corpos foram mutilados com o que parecia ser precisão cirúrgica. Órgãos internos foram removidos e, em alguns casos, levados embora como troféus macabros.

O assassino nunca foi capturado. Ele assinou suas cartas provocativas com o nome "Jack, o Estripador" — um nome que se tornaria sinônimo do próprio mal.

O Território dos Crimes

Para compreender Jack, o Estripador, é preciso primeiro entender Whitechapel.

Em 1888, essa paróquia do East End era um dos lugares mais perigosos do Império Britânico. Aproximadamente 80 mil almas se espremiam em suas ruas estreitas e cortiços em ruínas. Cinquenta e cinco por cento das crianças nascidas ali morriam antes de completar cinco anos. A Polícia Metropolitana estimava que 1.200 mulheres trabalhavam como prostitutas no bairro, muitas dormindo em "camas-caixão" em hospedarias comuns por quatro penies a noite.

Roubo, violência e dependência de álcool eram endêmicos. Imigrantes irlandeses fugindo da fome haviam engrossado a população por décadas, seguidos por refugiados judeus escapando de pogroms no Leste Europeu. As tensões fervilhavam constantemente. Nesse caldeirão fervente de pobreza e desespero surgiu um predador diferente de qualquer outro que Londres havia visto.

As Cinco Canônicas

Embora a polícia tenha investigado onze assassinatos em seu arquivo de "assassinatos de Whitechapel" entre 1888 e 1891, cinco vítimas são universalmente atribuídas a Jack, o Estripador. Tornaram-se conhecidas como as "cinco canônicas".

Mary Ann Nichols — 31 de agosto de 1888. Encontrada às 3h40 na Buck's Row com a garganta cortada por dois golpes profundos e o abdômen rasgado. Tinha 43 anos.

Annie Chapman — 8 de setembro de 1888. Descoberta às 6h atrás do número 29 da Hanbury Street. Sua garganta foi cortada até a espinha, o abdômen completamente aberto e o útero removido. Uma testemunha havia ouvido ela concordar em ir com um homem de aparência "respeitável mas desleixada", usando um chapéu de caça, apenas 30 minutos antes.

Elizabeth Stride — 30 de setembro de 1888. Encontrada à 1h no Dutfield's Yard com a garganta cortada, mas sem mutilação abdominal. Pode ter sido a única vítima em que o Estripador foi interrompido.

Catherine Eddowes — 30 de setembro de 1888. Apenas 45 minutos após a descoberta do corpo de Stride, Eddowes foi encontrada na Mitre Square. Sua garganta foi cortada de orelha a orelha. Seu rosto foi lacerado, o nariz cortado fora e incisões triangulares foram feitas em suas bochechas. Seu rim e útero haviam sido removidos. Isso ficou conhecido como o "evento duplo".

Mary Jane Kelly — 9 de novembro de 1888. O último e mais horrível assassinato. Kelly foi encontrada em seu quarto alugado no número 13 da Miller's Court, eviscerada de forma tão completa que era praticamente irreconhecível. Seu coração estava ausente da cena do crime.

As Cartas

Em 27 de setembro de 1888, chegou uma carta à Agência Central de Notícias de Londres. Escrita com tinta vermelha, provocava a polícia e prometia mais mortes:

"Estou de cima das putas e não vou parar de estripá-las até ser pego..."

Era assinada "Jack, o Estripador".

Três dias depois — na noite do evento duplo — chegou outra carta, acompanhada de metade de um rim humano conservado. Endereçada a George Lusk, do Comitê de Vigilância de Whitechapel, ela dizia:

"Do inferno. Sr. Lusk, envio-lhe metade do Rim que tirei de uma mulher... a outra metade eu friti e comi, estava muito gostosa."

A maioria dos historiadores acredita que a carta "Caro Chefe" era uma fraude, provavelmente escrita por jornalistas para impulsionar as vendas de jornais. Mas a carta "Do Inferno", com seu macabro acompanhamento, continua profundamente perturbadora. O rim apresentava sinais da doença de Bright — a mesma condição de que sofria Catherine Eddowes.

A Investigação

A Scotland Yard lançou a maior caçada ao homem da história britânica. Policiais inundaram Whitechapel. Detetives à paisana se passaram por moradores de rua. Cirurgiões foram interrogados sobre o aparente conhecimento anatômico do assassino.

Mas a investigação foi prejudicada desde o início. Não havia reconhecimento de impressões digitais em 1888. Nenhuma análise de DNA. Nenhuma câmera de vigilância. As cenas dos crimes foram pisoteadas antes de um exame adequado. E numa decisão catastrófica, o comissário de polícia Sir Charles Warren ordenou o apagamento de uma mensagem de giz encontrada perto do corpo de Catherine Eddowes: "Os Judeus são os homens que não serão culpados de nada."

Warren temia que o grafite enigmático provocasse tumultos antissemitas. Mas pode ter sido a única comunicação direta do assassino — destruída antes do amanhecer.

Mais de 100 Suspeitos

Nos 137 anos desde os assassinatos, mais de 100 pessoas foram apontadas como Jack, o Estripador. Elas variam do plausível ao absurdo:

Aaron Kosminski — Um imigrante polonês-judeu e cabeleireiro que foi posteriormente internado em um asilo. Ele permanece o suspeito mais forte. Em 2019, geneticistas afirmaram ter encontrado evidências de DNA ligando-o a um xale alegadamente de uma das cenas do crime. As afirmações foram repetidas em 2024, com o historiador Russell Edwards declarando uma "correspondência de 100%". No entanto, a metodologia foi fortemente contestada por cientistas que observam que o DNA mitocondrial não pode identificar definitivamente um indivíduo.

Montague John Druitt — Um advogado e professor que se afogou no Tâmisa logo após o assassinato final. Foi apontado como suspeito em 1894 pelo Inspetor-Chefe Melville Macnaghten, mas nenhuma evidência sólida o conecta aos crimes.

Príncipe Albert Victor — Neto da Rainha Vitória. Essa teoria da conspiração real surgiu nos anos 1970, mas foi completamente desacreditada. O príncipe tinha álibi documentados para vários dos assassinatos.

Walter Sickert — O pintor foi acusado pela romancista de crimes Patricia Cornwell, que gastou milhões em análises de DNA. Sua teoria permanece controversa e amplamente rejeitada pelos estudiosos do Estripador.

Dr. Thomas Neill Cream — Um médico que foi enforcado em 1892 por assassinatos não relacionados. Alegadamente disse "Eu sou Jack..." enquanto o alçapão se abria, mas ele tinha um álibi sólido — estava preso em Illinois durante os assassinatos de 1888.

Por Que Isso Importa?

Jack, o Estripador matou pelo menos cinco mulheres — muito menos do que muitos outros assassinos em série. Então por que esse caso continua a nos fascinar?

O momento e as circunstâncias criaram uma tempestade perfeita. Os assassinatos do Estripador coincidiram com o surgimento da alfabetização em massa e dos jornais baratos. Pela primeira vez, uma investigação criminal se desenrolou em tempo real nas primeiras páginas de todo o país. A combinação de um assassino misterioso, vítimas vulneráveis e uma mídia ávida por matérias sensacionalistas criou o modelo para a cobertura de true crime que persiste até hoje.

O cenário também importava. Ruas iluminadas a gás. Névoa turbilhonante. O contraste entre a sociedade vitoriana respeitável e a pobreza infernal de Whitechapel. Jack, o Estripador tornou-se mais do que um assassino — tornou-se um símbolo da escuridão que espreita sob o verniz da civilização.

A Caçada Sem Fim

A cada poucos anos, alguém afirma ter finalmente resolvido o caso. Evidências de DNA são apresentadas. Documentos antigos são reexaminados. Novos suspeitos emergem das sombras.

Em 2025, Russell Edwards e sua equipe jurídica anunciaram que buscavam um novo inquérito, apoiados por descendentes tanto da vítima Catherine Eddowes quanto do suspeito Aaron Kosminski. Eles acreditam que a análise genética moderna finalmente decifrou o caso.

Mas os céticos apontam que, após 137 anos, qualquer evidência física foi manuseada por incontáveis pessoas. A cadeia de custódia é impossível de estabelecer. O xale no centro da teoria de Edwards pode nunca ter estado na cena do crime.

Jack, o Estripador saiu de Whitechapel numa noite de novembro de 1888 e desapareceu na história. Deixou para trás corpos mutilados, cartas provocativas e um mistério que talvez nunca seja resolvido. Ele teria morrido? Sido preso? Simplesmente parado de matar?

A névoa guarda seus segredos.

O assassino em série mais famoso da história permanece o que sempre foi: uma sombra sem rosto, um nome sem identidade, um monstro feito de escuridão e lenda.

E em algum lugar nos vastos registros da Londres vitoriana — nos censos e prontuários de asilos, arquivos policiais e certidões de óbito — seu nome verdadeiro quase certamente existe. Esperando. Escondido à vista de todos. Assim como ele fazia naquelas noites ensanguentadas de outono, quando percorria as ruas de Whitechapel e conquistava sua terrível imortalidade.

O caso Jack, o Estripador oficialmente permanece aberto junto à Polícia da Cidade de Londres.

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Respostas Rápidas

Perguntas frequentes sobre este tema

Quantas vítimas Jack, o Estripador teve?

A polícia investigou onze assassinatos no arquivo 'assassinatos de Whitechapel' entre 1888 e 1891, mas cinco vítimas são universalmente atribuídas a Jack, o Estripador: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly. Essas cinco mulheres, conhecidas como as 'cinco canônicas', foram todas mortas entre agosto e novembro de 1888 no East End de Londres.

O que foi a carta 'Do Inferno'?

Em 16 de outubro de 1888, chegou uma carta endereçada a George Lusk, do Comitê de Vigilância de Whitechapel, acompanhada de metade de um rim humano conservado. A carta dizia: 'Do inferno. Sr. Lusk, envio-lhe metade do Rim que tirei de uma mulher... a outra metade eu friti e comi, estava muito gostosa.' O rim apresentava sinais da doença de Bright, a mesma condição de que sofria a vítima Catherine Eddowes.

Quem é Jack, o Estripador?

A identidade de Jack, o Estripador permanece desconhecida após mais de 130 anos. Mais de 100 pessoas já foram apontadas como suspeitas, incluindo Aaron Kosminski (um cabeleireiro polonês-judeu posteriormente internado em um asilo), Montague John Druitt (um advogado que se afogou logo após os assassinatos cessarem) e o pintor Walter Sickert. Em 2019, geneticistas afirmaram que evidências de DNA ligavam Kosminski a um xale de uma cena do crime, mas a metodologia foi fortemente contestada.

Por que a mensagem de giz na cena do assassinato de Eddowes foi apagada?

Após o assassinato de Catherine Eddowes, foi encontrada uma mensagem de giz nas proximidades: 'Os Judeus são os homens que não serão culpados de nada.' O comissário de polícia Sir Charles Warren ordenou pessoalmente seu apagamento ao amanhecer, temendo que provocasse tumultos antissemitas em Whitechapel. A mensagem pode ter sido a única comunicação direta do assassino — destruída antes de poder ser fotografada ou completamente analisada.

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