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O Assassinato de Mary Phagan e o Linchamento de Leo Frank
16 de mai. de 2026Casos Frios7 min de leitura

O Assassinato de Mary Phagan e o Linchamento de Leo Frank

O caso Leo Frank, na Atlanta de 1913, mostra como o assassinato de uma menina levou a uma condenação injusta, um linchamento por uma multidão, a fundação da ADL e o renascimento da KKK.

O Dia do Memorial Confederado caía em 26 de abril na Geórgia em 1913, e a Fábrica Nacional de Lápis, na South Forsyth Street em Atlanta, estava fechada. A maioria dos trabalhadores tinha o feriado de folga. Mary Phagan, de treze anos, não precisava trabalhar naquele dia — ela foi até lá apenas para recolher seu salário semanal de 1,20 dólar de Leo Frank, o superintendente da fábrica. Ela foi encontrada morta no porão da fábrica na manhã seguinte, estrangulada e brutalmente espancada, com dois bilhetes escritos à mão junto ao corpo.

Esses bilhetes desconcertam os analistas há mais de um século. Escritos em inglês vulgar e aparentemente na voz da vítima, descreviam um personagem chamado de "bruxa da noite" como o agressor e faziam referência a um homem negro. Os bilhetes tinham sido escritos em papel de anotações da própria fábrica. A maioria dos historiadores que os examinou acredita que foram redigidos pelo assassino real em uma tentativa torpe de desviar as suspeitas. A identidade do autor desses bilhetes é, de muitas maneiras, a chave de todo o caso.

A fábrica, o superintendente e a investigação

Leo Frank tinha 29 anos, era um engenheiro mecânico formado em Cornell, oriundo do Brooklyn, que viera para o Sul em 1908 para gerenciar a filial de Atlanta pertencente à família de seu tio. Era judeu, membro da pequena mas visível comunidade judaica reformista de Atlanta, e um nortenho cujo status profissional o tornava um estranho para parte da população branca da classe trabalhadora da cidade.

Na manhã de 27 de abril de 1913, o vigia noturno da fábrica encontrou um corpo no porão e acionou a polícia. Frank foi chamado. Segundo seu próprio relato, ficou nervoso durante o interrogatório — o que não era incomum, disse ele mais tarde, para um homem que de repente percebeu estar cercado por investigadores que pareciam já ter escolhido seu suspeito. Desde o início, as investigações se concentraram em dois homens: o próprio Frank e Jim Conley, o zelador da fábrica, que tinha uma ficha de pequenos furtos e havia sido visto lavando algo na fábrica na manhã em que o corpo foi descoberto.

Nas semanas seguintes, Conley foi interrogado repetidamente. Sua versão mudou pelo menos três vezes. Em sua primeira declaração, negou ter estado na fábrica em 26 de abril. Na segunda, admitiu ter estado lá, mas negou saber qualquer coisa sobre o assassinato. Na terceira e última versão, apresentou um relato detalhado no qual afirmava que Frank o havia chamado ao segundo andar, lhe mostrado o corpo de Mary e instruído a escrever os bilhetes antes de carregar o corpo até o porão. Cada nova versão do relato de Conley surgiu precisamente quando os promotores precisavam tampar os buracos da versão anterior.

Os investigadores optaram por acreditar na terceira versão.

O julgamento

O julgamento de Leo Frank começou no final de julho de 1913. O tribunal ficava no centro de uma cidade que, nos meses anteriores, havia sido levada ao paroxismo. Tom Watson, um ex-político populista convertido em demagogo nativista que dirigia um jornal influente chamado The Jeffersonian, vinha pedindo abertamente a condenação de Frank em linguagem que explorava diretamente estereótipos antissemitas sobre homens judeus e mulheres gentias. Multidões se reuniam do lado de fora do tribunal todos os dias e eram ouvidas de dentro do edifício. O juiz reconheceu posteriormente que havia temido um motim caso o júri absolvesse o réu.

Dentro do tribunal, o caso da acusação repousava quase inteiramente no testemunho de Conley. Nenhuma prova física ligava Frank ao assassinato. Nenhuma testemunha conseguiu situar Frank com Mary Phagan depois que ela saiu de seu escritório. Os dois bilhetes, longe de implicar Frank, eram compatíveis com terem sido escritos por alguém que conhecia o layout da fábrica e o papel do vigia noturno. A equipe de defesa de Frank chamou dezenas de testemunhas de caráter e questionou sistematicamente a credibilidade de Conley, apontando as múltiplas contradições em seus depoimentos cambiantes.

O júri deliberou por menos de quatro horas e retornou um veredicto de culpado em agosto de 1913. Frank foi condenado à morte. O juiz, preocupado com a ordem pública, havia aconselhado Frank e seu advogado a não estar presentes quando o veredicto fosse anunciado.

A comutação e suas consequências

O veredicto desencadeou um debate nacional. Juristas que analisaram o processo acharam-no alarmante. A recém-fundada Liga Antidifamação, criada pelo B'nai B'rith em outubro de 1913 em parte como resposta direta à situação de Frank, montou uma campanha sustentada pela revisão do caso. Petições com centenas de milhares de assinaturas chegaram à Geórgia de todo o país.

O governador John Slaton passou semanas lendo pessoalmente o processo. Considerou as provas materiais questionáveis, as múltiplas contradições de Conley profundamente perturbadoras e o clima geral do julgamento incompatível com um processo justo. Em junho de 1915, duas semanas antes do fim de seu mandato, Slaton comutou a pena de morte de Frank para prisão perpétua com trabalhos forçados. Foi a decisão mais consequente de sua carreira e encerrou esta. Ele foi enforcado em efígie por toda a Geórgia, precisou de escolta da Guarda Nacional para sair de Atlanta em segurança e jamais voltou à política eleitoral.

A comutação enfureceu um grupo de homens de Marietta, cidade natal de Mary Phagan, que se organizaram sob o nome de Cavaleiros de Mary Phagan. Na noite de 16 de agosto de 1915, aproximadamente 25 homens — identificados posteriormente como incluindo um ex-governador, um ex-xerife, um juiz e um clérigo — cortaram os fios telefônicos ao redor da Fazenda Penal Estadual de Milledgeville, dominaram os guardas e retiraram Leo Frank de sua cela. Viajaram pela noite até Marietta e o enforcaram em um carvalho. O linchamento foi fotografado. Cartões postais de lembrança foram posteriormente impressos a partir das imagens.

Ninguém jamais foi processado pelo sequestro ou pelo assassinato.

Três meses depois, em novembro de 1915, William Joseph Simmons liderou um grupo que incluía muitos desses mesmos homens até a Stone Mountain, nos arredores de Atlanta, e acendeu uma cruz. A segunda Ku Klux Klan havia nascido. Ela chegaria a quatro milhões de membros em meados da década de 1920.

O que Alonzo Mann viu

Por quase setenta anos após a morte de Frank, Jim Conley manteve sua versão, cumpriu uma pena por cumplicidade que durou menos de um ano e viveu até 1962. O caso se sedimentou na história como uma condenação, uma comutação e um linchamento.

Então, em 1982, um agente de seguros aposentado de 83 anos chamado Alonzo Mann procurou um jornal de Nashville. Mann tinha quatorze anos em abril de 1913 e trabalhava como office-boy na fábrica de lápis. Na tarde de 26 de abril, ele disse, havia retornado à fábrica depois do almoço e encontrado Jim Conley parado sozinho no saguão, segurando o corpo de Mary Phagan. Conley o havia advertido: "Se você contar isso a alguém, eu te mato." Mann foi para casa e contou para a mãe, que lhe disse para esquecer o que havia visto. Ele havia ficado em silêncio por 69 anos.

Mann se submeteu a um exame de polígrafo administrado por um perito forense sem nenhuma ligação prévia com o caso. O perito concluiu que ele estava dizendo a verdade.

O Conselho de Indultos e Liberdade Condicional da Geórgia abriu uma revisão. Em 1986, concedeu a Frank um indulto póstumo — cuidadosamente formulado. O conselho disse que o estado havia falhado em proteger Frank da violência do populacho e lhe havia negado o devido processo legal. Recusou-se a declarar Frank inocente do assassinato de Mary Phagan. Essa redação restritiva não satisfez quase ninguém.

Por que o caso ainda importa

O caso Leo Frank é convencionalmente ensinado como um estudo de caso sobre a justiça do populacho e o fracasso institucional, o que é. Mas três outras coisas aconteceram simultaneamente que lhe conferem um alcance mais longo.

Em primeiro lugar, demonstrou como as hierarquias raciais podiam ser deliberadamente invertidas quando serviam a uma narrativa específica. Jim Conley, um homem negro no Sul do Jim Crow que havia admitido estar presente na cena do crime, admitido ter mentido repetidamente durante os interrogatórios e admitido ter ajudado a escrever mensagens deixadas próximas ao corpo de uma vítima de assassinato, foi a testemunha estrela da acusação em vez de ser o réu. Isso aconteceu porque os promotores calcularam que um superintendente judeu de fábrica oriundo de Nova York seria um vilão mais satisfatório para seu público do que o zelador. Estavam certos, e esse cálculo matou um homem.

Em segundo lugar, é um ponto de origem direto de duas instituições que permanecem ativas hoje em dia. A Liga Antidifamação foi criada em parte em resposta à condenação de Frank. A segunda Ku Klux Klan foi criada em parte pelos homens que o mataram.

Em terceiro lugar, e de forma mais simples, o assassinato de Mary Phagan jamais foi oficialmente resolvido. Ninguém foi jamais condenado por matá-la. O estado da Geórgia condenou Leo Frank, depois reconheceu implicitamente que a condenação pode ter sido um erro, depois o perdoou sem exonerá-lo. O assassinato real, o ato que desencadeou tudo isso, permanece uma questão em aberto em qualquer sentido jurídico.

Ela tinha treze anos. Veio para recolher um dólar e vinte centavos. Quem quer que a tenha matado — e as evidências apontam fortemente para Jim Conley — ficou em liberdade e morreu livre. A questão sobre o que aconteceu naquele porão de fábrica numa tarde de feriado confederado em 1913 nunca foi respondida em tribunal algum, e as chances de ser respondida agora são efetivamente nulas.

Para outros casos em que a pessoa errada suportou a culpa — ou onde a justiça simplesmente nunca foi feita — veja os assassinatos a machado de Lizzie Borden e os assassinatos da Colonial Parkway.

Respostas Rápidas

Perguntas frequentes sobre este tema

Quem foi condenado pelo assassinato de Mary Phagan?

Leo Frank, superintendente de 29 anos da Fábrica Nacional de Lápis em Atlanta, foi condenado pelo assassinato de Mary Phagan em agosto de 1913. A condenação baseou-se amplamente no testemunho de Jim Conley, o zelador da fábrica. As evidências contra Frank eram em grande parte circunstanciais, e muitos historiadores acreditam que ele era inocente.

Quem de fato matou Mary Phagan?

A maioria dos historiadores acredita hoje que Jim Conley, o zelador cujo testemunho condenou Frank, foi o assassino de verdade. Conley admitiu estar na fábrica no dia do crime e admitiu ter ajudado a redigir os bilhetes misteriosos encontrados perto do corpo. Em 1982, Alonzo Mann assinou uma declaração juramentada afirmando que havia visto Conley carregando o corpo de Phagan, mas fora advertido a não dizer nada.

Leo Frank foi alguma vez inocentado?

Sim, postumamente. Em 1986, o Conselho de Indultos e Liberdade Condicional da Geórgia concedeu um indulto a Frank com base no argumento de que o estado havia falhado em protegê-lo — e não como declaração formal de inocência. O conselho não chegou a exonerá-lo explicitamente da acusação de homicídio.

Quais foram as principais consequências do caso Leo Frank?

O caso teve duas consequências institucionais marcantes. A Liga Antidifamação foi fundada em 1913 pelo B'nai B'rith, em parte em resposta ao tratamento antissemita dispensado a Frank durante o julgamento. E o grupo de vigilantes que linchou Frank, chamando-se Cavaleiros de Mary Phagan, forneceu o núcleo organizacional para a revitalização da Ku Klux Klan por William Joseph Simmons na Stone Mountain, em novembro de 1915.

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