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Origens: Quando o Jornal Foi Inventado
2 de jun. de 2026Origens7 min de leitura

Origens: Quando o Jornal Foi Inventado

A história do jornal atravessa 2.000 anos: dos boletins gravados em pedra por César aos avvisi manuscritos de Veneza até o primeiro jornal impresso de Estrasburgo, em 1605.

A história popular do jornal costuma começar em algum momento do século XV, com Johannes Gutenberg e a prensa de tipos móveis. É um ponto de partida razoável. A prensa tipográfica foi a tecnologia que tornou economicamente viável a distribuição de notícias em massa. Mas o jornal como instituição — um relato regular, editado e composto por múltiplos itens sobre eventos correntes, produzido para um público pagante — levou mais 150 anos para emergir depois de Gutenberg, e suas raízes se estendem muito além disso.

A questão de quem inventou o jornal é complicada pelo fato de que "jornal" mistura várias ideias distintas: publicação regular, múltiplos itens de notícias, acessibilidade pública e independência comercial. Diferentes candidatos ao título de "primeiro" satisfazem combinações diferentes desses critérios. A história não é um único momento de invenção. É uma lenta montagem de peças.

Roma: o quadro de avisos como proto-notícia

O serviço público regular de informações mais antigo no registro histórico é romano. Em 59 a.C., Júlio César, recém-nomeado cônsul, ordenou a criação das Acta Diurna — os "atos diários" ou "atos cotidianos". Eram resumos oficiais dos procedimentos do Senado, nomeações públicas, despachos militares, decisões judiciais, nascimentos, mortes, divórcios e eventos notáveis, gravados ou pintados em pedra ou tábuas de madeira caiadas e afixados em espaços públicos proeminentes em toda Roma, tipicamente no Fórum.

As Acta Diurna eram produzidas diariamente quando o Senado estava em sessão e permaneciam expostas ao público antes de serem arquivadas em local onde os cidadãos podiam solicitar acesso. Eram copiadas por escribas particulares chamados actuarii, que produziam resumos manuscritos (chamados acta ou commentarii) para romanos ricos que viviam fora da cidade ou nas províncias e pagavam por um serviço de assinatura com entrega das notícias por mensageiro. Isso já é, notavelmente, próximo de um modelo primitivo de circulação.

O que faltava às Acta Diurna era independência editorial. César as criou em parte para quebrar o monopólio do Senado sobre a informação política e estender sua própria mensagem populista diretamente ao público. Não havia editor selecionando entre histórias concorrentes, nem comentários, nem separação entre o pronunciamento oficial e a observação independente. As Acta eram um boletim governamental, não um jornal. Mas estabeleceram algo importante: a ideia de que o público tinha uma reivindicação regular e legítima à informação sobre os eventos correntes.

As Acta Diurna continuaram após a morte de César e aparecem em textos romanos pelo menos até o século IV d.C. Quando o Império Romano do Ocidente entrou em colapso, a infraestrutura que as produzia também desapareceu.

China: a gazeta da corte

Enquanto Roma afixava boletins de pedra, o sistema imperial chinês estava desenvolvendo independentemente um modelo diferente de circulação regular de informações. O Di Bao, frequentemente traduzido como "relatório da corte" ou "gazeta imperial", circulava resumos escritos dos éditos imperiais, nomeações oficiais e procedimentos da corte entre os funcionários do governo pelo menos desde a dinastia Tang, com evidências de práticas semelhantes possivelmente anteriores.

O Di Bao não era um jornal público. Era uma publicação governamental restrita, distribuída entre funcionários que precisavam conhecer as decisões imperiais relevantes para seus deveres administrativos. As pessoas comuns não o recebiam nem o compravam. Durante a dinastia Song (960–1279 d.C.), impressores privados empreendedores começaram a produzir cópias não autorizadas e resumos ampliados do Di Bao para um público letrado mais amplo, o que gerou objeções oficiais e repressões periódicas.

Essa tensão — entre a gazeta oficial distribuída entre a elite e o resumo não oficial vendido a quem quisesse comprá-lo — é uma das dinâmicas recorrentes na história primitiva da mídia de notícias em todos os lugares. A informação tem valor econômico. Sempre haverá alguém que encontrará uma maneira de vendê-la.

Veneza: o folheto de notícias manuscrito

A Veneza do século XVI era a cidade mais saturada de informações na Europa. Sua posição como principal entreposto comercial do Mediterrâneo significava que mercadores e funcionários do governo precisavam de inteligência confiável e atualizada sobre as condições de cada mercado em que operavam — preços em Alexandria, estabilidade política em Constantinopla, movimentos navais no Adriático.

Por volta das décadas de 1530 e 1540, Veneza havia desenvolvido uma rede de redatores profissionais de notícias chamados novellanti ou menanti, que coletavam informações, as redigiam em forma manuscrita e vendiam assinaturas a mercadores ricos, nobres e embaixadores estrangeiros. Esses folhetos de notícias manuscritos circulavam semanal ou mais frequentemente, cobrindo notícias comerciais, desenvolvimentos diplomáticos, eventos militares e fofocas da corte de toda a Europa e do mundo otomano.

Os folhetos eram chamados de notizie scritte ou avvisi, que significa "avisos escritos". O preço de um único exemplar era, segundo consta, uma gazetta — uma pequena moeda veneziana de baixo valor —, que é de onde vem a palavra "gazeta". A primeira vez que a palavra aparece em inglês, é um empréstimo do italiano, carregando consigo a memória de um vendedor de notícias veneziano barganhando por uma moeda de cobre.

Os avvisi venezianos eram sofisticados. Os melhores exemplos mostram clara seleção editorial, formatação consistente entre as edições e um mix de correspondentes estrangeiros enviando despachos pelas rotas postais que cruzavam a Itália. O que lhes faltava era a impressão. Cada cópia era manuscrita, o que limitava a circulação e introduzia erros de cópia. Eram caros e difíceis de escalar.

Estrasburgo, 1605: o primeiro jornal impresso

Johann Carolus era um impressor e empreendedor de notícias em Estrasburgo que administrava um serviço de boletins manuscritos para assinantes — exatamente o modelo veneziano — por vários anos antes de 1605. A logística de copiar à mão limitava seus negócios. No final de 1604 ou início de 1605, ele converteu sua operação para a impressão, usando sua prensa e tipos existentes.

O resultado foi a Relation aller Furnemmen und gedenckwurdigen Historien — "Relato de todas as histórias distintas e memoráveis" —, publicada semanalmente a partir de 1605. A cópia sobrevivente mais antiga data desse ano. Continha itens de notícias coletados em várias cidades europeias, escritos em alemão, impressos em um formato consistente entre as edições e vendidos publicamente.

Carolus pediu ao conselho municipal de Estrasburgo em 1605 um monopólio sobre a publicação de jornais na cidade, argumentando que sua inovação havia criado um novo tipo de publicação. A decisão do conselho reconhecendo sua petição é um dos documentos que estabelecem a Relation como o primeiro jornal impresso.

Uma reivindicação concorrente se refere ao Avisa Relation oder Zeitung, publicado em Wolfenbüttel ou Augsburgo por volta da mesma época (a datação exata ainda é disputada entre historiadores da imprensa). Ambas as publicações representam o mesmo momento: a conversão do serviço de notícias em manuscrito existente em um produto impresso, com programação regular e disponível para qualquer comprador.

A propagação e as proibições

Uma vez que o modelo existia, ele se replicou rapidamente. Em 1620, jornais impressos já funcionavam em várias cidades alemãs e holandesas. O primeiro jornal em língua inglesa apareceu em Amsterdã em 1620, voltado para mercadores expatriados. Londres recebeu seu primeiro jornal doméstico em 1621.

O padrão que se seguiu era familiar a partir das proibições de cafés da mesma época. Os governantes tentaram suprimir os jornais quase tão logo eles apareceram. Monopólios, escritórios de censura, exigências de licenciamento e proibições absolutas foram tentados na maioria dos grandes Estados europeus em vários momentos do século XVII. A República Holandesa foi a exceção notável, tolerando a liberdade de imprensa de forma mais consistente do que seus vizinhos — o que explica em parte por que Amsterdã se tornou a capital europeia dos jornais em meados do século XVII, produzindo publicações para mercados estrangeiros que seus governos locais tinham proibido.

A Lei de Licenciamento da Inglaterra, que exigia aprovação governamental para todas as publicações, expirou em 1695 e não foi renovada — menos por comprometimento principiológico com a liberdade de imprensa do que por indiferença parlamentar e pela impossibilidade prática de aplicação. O resultado foi uma rápida expansão do mercado de jornais de Londres no início do século XVIII. Em 1750, Londres tinha mais de uma dúzia de jornais; os cafés da cidade funcionavam como salas de leitura informais onde um único exemplar passava por dezenas de mãos.

O mito do inventor único

Todo relato sobre as origens do jornal acaba esbarrando no problema de que nenhuma pessoa sozinha o inventou. Carolus codificou um serviço existente em um novo formato. Os redatores dos avvisi venezianos desenvolveram o modelo editorial antes que a impressão o tornasse escalável. César institucionalizou a reivindicação pública à informação antes de qualquer um deles. O Di Bao chinês estabeleceu a tecnologia da publicação escrita regular séculos antes da Europa.

O que Estrasburgo em 1605 representa não é invenção, mas cristalização — o momento em que elementos suficientes (uma prensa tipográfica, um mercado urbano letrado, rotas postais estabelecidas e uma rede de coleta de notícias) se reuniram num único lugar para produzir algo reconhecidamente moderno. A palavra "jornal" é uma cunha do inglês do século XVII. A coisa em si foi montada ao longo de dois mil anos.

Para mais histórias de origens relacionadas, veja Origens: A Invenção da Imprensa e Origens: A História do Relógio.

Respostas Rápidas

Perguntas frequentes sobre este tema

Qual foi o primeiro jornal?

O primeiro jornal impresso é geralmente identificado como a 'Relation aller Furnemmen und gedenckwurdigen Historien', publicada por Johann Carolus em Estrasburgo em 1605. Era semanal, cobria notícias de várias cidades e tinha um formato consistente entre as edições. Candidatos anteriores, incluindo os boletins romanos gravados em pedra e os folhetos de notícias manuscritos venezianos, não atendem a um ou mais dos critérios que distinguem um jornal de um quadro de avisos ou de um serviço de correspondência privada.

O que eram as Acta Diurna?

As Acta Diurna eram boletins romanos oficiais ordenados por Júlio César em 59 a.C. Gravadas ou pintadas em pedra ou madeira e afixadas em lugares públicos de Roma, cobriam os procedimentos do Senado, decisões judiciais, despachos militares, nomeações públicas, nascimentos, mortes e eventos notáveis. Não eram jornais no sentido moderno — não tinham editor, circulação nem seleção editorial —, mas estabeleceram o princípio da divulgação regular de informações públicas.

Quando a Inglaterra teve seu primeiro jornal?

O primeiro jornal em língua inglesa surgiu em Amsterdã em 1620, impresso para um público de expatriados anglófonos. O primeiro jornal publicado de fato na Inglaterra foi o Weekly Newes, lançado em Londres em 1621. A London Gazette, que começou como Oxford Gazette em 1665, é o jornal de publicação contínua mais antigo do mundo de língua inglesa ainda em circulação.

Por que o jornal foi inventado na Europa e não na China?

A China tinha o Di Bao, uma gazeta da corte que circulava entre funcionários, pelo menos desde a dinastia Tang (séculos VII–X d.C.), tornando-o a publicação de informação periódica mais antiga do mundo. Mas o Di Bao não era um jornal público — circulava apenas entre funcionários do governo e não era vendido nem disponibilizado para os leitores comuns. O jornal público como o conhecemos — vendido comercialmente, editado de forma independente, disponível para qualquer comprador — emergiu da intersecção da prensa tipográfica, da cultura comercial urbana e de uma classe de comerciantes letrados que a Europa desenvolveu nos séculos XVI e XVII.

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