InícioCasos Friosvs HollywoodViagem no TempoArsenalSe Vivessem HojeOrigensExperimentar o App
O Homem de Somerton: O Caso Não Resolvido Mais Misterioso da Austrália
1 de fev. de 2026Casos Frios5 min de leitura

O Homem de Somerton: O Caso Não Resolvido Mais Misterioso da Austrália

O caso Tamam Shud do Homem de Somerton: um homem morto numa praia de Adelaide em 1948 com um código críptico no bolso. Setenta e cinco anos depois, sua identidade ainda é disputada.

Em 1.º de dezembro de 1948, um homem bem vestido foi encontrado encostado numa mureta na Praia de Somerton, em Adelaide, na Austrália. Sua identidade, causa da morte e o significado das pistas crípticas encontradas em seu corpo se tornariam um dos mistérios mais duradouros da história.

Um Corpo Sem Nome

O homem aparentava ter pouco mais de quarenta anos, porte atlético, cerca de 1,80 m de altura. Usava um terno caro, sapatos engraxados e não portava nenhuma identificação. Todas as etiquetas haviam sido cuidadosamente removidas de suas roupas — um ato deliberado que sugeria que alguém queria que ele permanecesse anônimo.

Seus pertences eram igualmente desconcertantes: uma passagem de trem de segunda classe não utilizada para Henley Beach, uma passagem de ônibus, cigarros (marca Kensitas, embora o maço contivesse cigarros Army Club), fósforos, chicletes e um pente. Sem carteira. Sem identificação. Nada que sugerisse quem era ou de onde vinha.

A autópsia revelou mais perguntas do que respostas. Seu baço estava anormalmente grande. Seu fígado apresentava sinais de congestão. Seu coração mostrava possíveis sinais de envenenamento. No entanto, nenhum veneno foi detectado em seu organismo. A causa oficial da morte foi listada como "causas não naturais" — uma admissão burocrática de completo desconcerto.

A Mala e o Estranho Código

Algumas semanas após a descoberta do corpo, a polícia rastreou uma mala abandonada na Estação Ferroviária de Adelaide ao homem morto. Dentro, encontraram roupas com as etiquetas removidas, uma chave de fenda, tesouras, uma faca de mesa e equipamentos de estêncil. Um nome — "T. Keane" — foi encontrado em alguns itens, mas nenhum T. Keane compatível com a descrição foi jamais identificado.

Então veio a descoberta — ou assim parecia. Durante um exame mais minucioso do corpo, os investigadores encontraram um pequeno pedaço de papel enrolado escondido num bolso secreto costurado nas calças do homem. Nele estavam duas palavras: "Tamam Shud".

Essas palavras foram rastreadas até uma edição rara d'O Rubáiyát de Omar Khayyam, uma coleção de poesia persa. "Tamam Shud" se traduz do persa como "Está terminado" ou "O Fim" — as últimas palavras impressas no livro.

A busca pelo livro se intensificou. Então, um homem local apareceu. Ele havia encontrado um exemplar d'O Rubáiyát no banco traseiro de seu carro destrancado, estacionado perto da Praia de Somerton, por volta da época da morte. A última página estava rasgada — e o rasgo coincidia perfeitamente com o fragmento encontrado no corpo.

Mas o livro continha algo ainda mais estranho. Na contracapa, alguém havia lápis uma sequência de letras:

WRGOABABD
MLIAOI
WTBIMPANETP
MLIABOAIAQC
ITTMTSAMSTGAB

Era um código? Uma cifra? Nonsense aleatório? Criptógrafos, agências de inteligência e detetives amadores passaram décadas tentando decifrá-lo. Até hoje, ninguém o decifrou de forma definitiva.

A Enfermeira e a Teoria do Espião

O proprietário do livro levou a polícia até uma enfermeira chamada Jessica Thomson (pseudônimo dado para proteger sua identidade). Quando lhe mostraram um molde do rosto do homem morto, ela ficou visivelmente perturbada — embora negasse conhecê-lo.

Jessica tinha conexões que levantavam suspeitas. Durante a guerra, havia trabalhado com informações militares sensíveis. O número de seu telefone foi encontrado na contracapa do livro misterioso. E, o mais intrigante, ela havia dado um exemplar d'O Rubáiyát a um oficial militar chamado Alf Boxall em 1945.

Os investigadores inicialmente acharam que Boxall poderia ser o homem morto. Mas quando o localizaram, ele estava muito vivo — e ainda tinha seu exemplar do livro, intacto, com o "Tamam Shud" não removido.

Essa descoberta só aprofundou o mistério. Se o homem morto não era Boxall, quem era? Por que tinha um exemplar diferente do mesmo livro raro? E qual era sua ligação com Jessica?

O contexto da Guerra Fria alimentou a especulação. A Austrália de 1948 conduzia pesquisas nucleares secretas. Adelaide abrigava o campo de testes de foguetes de Woomera. A aptidão física do homem morto, a remoção meticulosa das etiquetas de identificação, a cifra — poderia ele ter sido um espião?

A Ciência Moderna Encontra um Antigo Mistério

Por décadas, o Homem de Somerton jazeu num cemitério de Adelaide, seu túmulo marcado apenas com as palavras "HOMEM DESCONHECIDO". Mas em 2021, pesquisadores exumaram seus restos para testes de DNA.

Em 2022, o professor Derek Abbott anunciou uma conclusão surpreendente: o Homem de Somerton era provavelmente Carl "Charles" Webb, um engenheiro eletricista nascido em Melbourne que desapareceu por volta de 1947. O DNA de Webb coincidia com amostras de seus descendentes vivos.

Mas mesmo essa descoberta levanta tantas perguntas quantas responde. Como um engenheiro eletricista acabou morto numa praia a 700 quilômetros de casa? Por que o elaborado encobrimento da identidade? E quanto ao código? E quanto a Jessica Thomson, que teria dito à filha antes de morrer que sabia a identidade do homem morto, mas jamais revelaria?

As Teorias

Ao longo de sete décadas, inúmeras teorias emergiram:

Suicídio por amor perdido: Webb supostamente era envolvido com Jessica Thomson. Quando ela o rejeitou, ele tirou a própria vida. O "Tamam Shud" — "Está terminado" — era sua última mensagem.

Espião soviético: Webb era um agente soviético de fundo. Sua morte foi um assassinato ou uma autoeliminação para evitar a captura. O código era uma cifra de bloco de uso único.

Inteligência britânica: Webb trabalhava para o MI6 ou para a inteligência australiana. Sua morte estava ligada a operações da Guerra Fria.

Overdose acidental: A explicação mais simples — Webb ingeriu veneno, intencionalmente ou acidentalmente, e os elementos misteriosos são coincidências que superinterpretamos.

Por Que Isso Ainda Nos Assombra

O caso Tamam Shud do Homem de Somerton perdura porque combina os elementos do mistério perfeito: um corpo sem identidade, um código críptico, uma bela enfermeira com segredos, intrigas da Guerra Fria e evidências suficientes para alimentar intermináveis especulações sem jamais alcançar a certeza. Para outros casos que compartilham a qualidade de evidências que sugerem algo extraordinário sem jamais confirmá-lo, veja o incidente da Passagem Dyatlov e o mistério do Manuscrito Voynich.

Mesmo com uma identificação provável, as questões centrais permanecem. O que eram aquelas letras? O que Carl Webb fazia em Adelaide? Por que precisava desaparecer?

Alguns mistérios se resolvem de forma limpa. Outros, como o Homem de Somerton, nos lembram que a realidade nem sempre oferece finais arrumados. Às vezes, a única frase que cabe é a encontrada em seu bolso.

Tamam Shud.

Está terminado — mas de alguma forma, nunca estará.

Quer Interrogar os Suspeitos?

Converse com figuras históricas e descubra a verdade por trás dos maiores mistérios da história.

Iniciar Investigação

Não perca nenhum mistério

Receba novas investigações no seu e-mail

Análises semanais sobre casos não resolvidos, Hollywood vs. história e civilizações antigas. Sem spam. Cancele quando quiser.