
O Desaparecimento de Brianna Maitland
Em 19 de março de 2004, Brianna Maitland, de dezessete anos, terminou seu turno no motel em Vermont, saiu de carro e sumiu. Seu carro foi encontrado atolado numa fazenda abandonada. Ela nunca foi localizada.
Na manhã de 20 de março de 2004, um motorista que passava pela Route 118 em Montgomery, Vermont, avistou algo que não fazia sentido: um Oldsmobile Delta 88 1985 na cor bordô com a parte traseira cravada na parede de uma fazenda abandonada às margens da estrada. Dentro do carro havia uma bolsa, um contracheque e o restante dos pertences da dona do veículo. A porta do motorista estava aberta. A dona não estava lá.
Brianna Maitland, dezessete anos, havia terminado seu turno no Black Bear Motel nas proximidades na noite anterior. Ela foi embora de carro. Nunca foi encontrada.
Uma adolescente no extremo norte de Vermont
Montgomery fica no canto nordeste de Vermont, perto da fronteira com o Canadá e com New Hampshire, no tipo de município rural onde o inverno é longo e a população pequena o suficiente para que estranhos chamem atenção. Em março de 2004, era uma comunidade de algumas centenas de moradores, servida por uma série de pequenas pousadas e motéis que atendiam esquiadores que se dirigiam às pistas próximas.
Brianna Maitland tinha dezessete anos e havia saído recentemente da casa dos pais em Sheldon, Vermont. Ela dividia um apartamento com amigos e trabalhava para se sustentar, como faz uma adolescente determinada quando decide que está pronta para viver por conta própria. O emprego no Black Bear Motel fazia parte dessa independência. Ela tinha planos — planos modestos e concretos — e as pessoas que a conheciam não acreditavam que ela tivesse intenção alguma de abandoná-los.
Ela não tinha o perfil de alguém que foge de casa.
A noite de 19 de março
Brianna cumpriu seu turno na noite de 19 de março de 2004. Colegas de trabalho no motel estiveram entre as últimas pessoas a vê-la. Em determinado momento da noite ela entrou no carro e saiu do estacionamento. O trajeto do motel até o apartamento era curto — poucos minutos pela Route 118, uma estrada de duas pistas que corta a floresta entre Montgomery Center e a vila de Montgomery.
Ela não chegou em casa.
Na manhã seguinte, o Delta 88 foi encontrado a menos de quatrocentos metros do motel, encravado de ré contra a parede de uma fazenda abandonada levemente recuada da estrada. A traseira do carro colidiu com o edifício com força suficiente para danificar tanto o veículo quanto a estrutura. No entanto, os pertences de Brianna — a bolsa, o contracheque do turno daquela noite, tudo que uma pessoa normalmente leva consigo quando vai a algum lugar de forma deliberada — continuavam dentro do veículo.
A porta do motorista estava aberta.
O que o carro revelou e o que não revelou
Os investigadores que chegaram à cena se depararam com um quadro físico que não se encaixava em nenhuma explicação convencional. Um carro encravado de ré num edifício, com a traseira adiante e em velocidade, não é o que parece em um acidente de trânsito comum. Um motorista que perde o controle indo para frente bate com a frente do veículo. A orientação inversa na fazenda exigia ou que Brianna tivesse dado ré naquela direção com certa velocidade, ou que outra pessoa tivesse movido o carro depois que ela saiu.
Não foi encontrado sangue dentro nem ao redor do veículo. Nenhum sinal de luta, nenhuma evidência de que alguém tivesse se machucado no local. O contracheque era um detalhe significativo — uma pessoa que vai embora voluntariamente quase sempre leva dinheiro consigo. O de Brianna ainda estava no banco.
A Polícia Estadual de Vermont chegou e rapidamente classificou o caso como suspeito. A própria fazenda ficava num trecho da estrada visível a partir do estacionamento do motel, próximo o suficiente para que Brianna tivesse passado por ela segundos após sair do estabelecimento. O que quer que tenha acontecido com ela aconteceu depressa, num local conhecido, numa estrada que ela usava com regularidade.
Além disso, a cena não oferecia quase nada.
A conexão com Maura Murray
Trinta e nove dias antes de Brianna Maitland desaparecer de Montgomery, Vermont, uma estudante da Universidade de Massachusetts chamada Maura Murray, de vinte e um anos, bateu seu carro na Route 112 perto de Haverhill, New Hampshire. Ela disse a um motorista de ônibus escolar que parou para verificar o que havia acontecido que o socorro já estava a caminho e, quando a polícia chegou, ela havia sumido. Nunca foi encontrada.
A distância entre os dois locais de desaparecimento é de cerca de 64 quilômetros. O intervalo entre eles é de seis semanas. As duas jovens desapareceram de estradas rurais numa região com baixa densidade populacional, cobertura limitada de câmeras de segurança e proximidade com a fronteira canadense. As duas deixaram veículos para trás em circunstâncias que não faziam pleno sentido. Nenhum dos dois casos foi resolvido.
Investigadores de Vermont e de New Hampshire estiveram cientes dos dois casos ao longo das investigações paralelas, e nenhuma conexão confirmada foi estabelecida. A visão mais comedida é a de que a proximidade é coincidência — dois casos intratáveis numa região onde investigações de pessoas desaparecidas podem ser especialmente difíceis de resolver, ligados na consciência pública principalmente por compartilharem a mesma geografia e o mesmo período.
Mas o agrupamento nunca deixou de atrair a atenção de pesquisadores que acreditam que a coincidência não é a explicação completa.
As teorias que sobreviveram ao tempo
Diversas explicações circularam nas mais de duas décadas desde o desaparecimento de Brianna, nenhuma delas comprovada.
A mais amplamente aceita entre os investigadores é a de crime doloso por alguém que Brianna conhecia ou encontrou naquela noite. A Polícia Estadual de Vermont identificou suspeitos de interesse em vários momentos e realizou múltiplas rodadas de entrevistas. Alguns desses indivíduos foram eliminados; outros morreram sem que a investigação chegasse a uma conclusão.
Uma segunda teoria envolve o tráfico regional de drogas. O norte de Vermont no início dos anos 2000 tinha um problema documentado com redes de distribuição de metanfetamina que cruzavam a fronteira do Canadá. Alguns investigadores sugeriram que Brianna pode ter tido contato com pessoas ligadas a esse comércio, seja por conhecidos, seja por acaso. Ela própria não era suspeita de envolvimento.
Uma terceira linha de investigação seguiu a ideia de sequestro oportunista — alguém que avistou uma jovem sozinha numa estrada deserta à noite e agiu. Essa teoria não exige nenhuma conexão prévia com Brianna e se encaixa razoavelmente bem nas evidências físicas do local, mas não deixou rastro rastreável.
A Polícia Estadual de Vermont nunca adotou publicamente uma teoria, e a investigação foi classificada como aberta e ativa ao longo de todo esse tempo.
Os defensores que não pararam
Os pais de Brianna, John e Kellie Maitland, passaram mais de vinte anos mantendo o caso em evidência pública. Eles concederam entrevistas, colaboraram com organizações de defesa de pessoas desaparecidas e cooperaram com investigadores em múltiplas rodadas de renovado interesse. A recusa deles em aceitar o silêncio permanente fez a diferença entre um caso que vai se apagando e um que continua gerando informações.
Em 2017, a Polícia Estadual de Vermont emitiu um novo apelo público por informações, que levou o caso a um novo público por meio das redes sociais e de fóruns de true crime. Podcasts e pesquisadores revisitaram as evidências repetidamente nos anos seguintes, produzindo novas entrevistas e cronologias sem chegar a uma resolução.
A fazenda abandonada onde o carro foi encontrado foi demolida anos atrás. O local físico não existe mais. O Oldsmobile foi processado pelos investigadores e devolvido à família.
O que resta é um contracheque esquecido num banco, uma porta aberta numa fria estrada de Vermont e uma adolescente que estava lá e depois não estava mais. Mais de vinte anos de investigação não produziram a única testemunha, o vestígio físico ou a confissão que explicaria o que aconteceu com Brianna Maitland entre o estacionamento do motel e a parede da fazenda abandonada.
O caso está aberto.
Respostas Rápidas
Perguntas frequentes sobre este tema
Quando Brianna Maitland desapareceu?
Brianna Maitland foi vista pela última vez em 19 de março de 2004, após encerrar um turno no Black Bear Motel em Montgomery, Vermont. Ela tinha dezessete anos. Seu Oldsmobile 1985 foi encontrado na manhã seguinte, encravado na parede de uma fazenda abandonada a menos de quatrocentos metros do motel.
O caso de Brianna Maitland tem ligação com o desaparecimento de Maura Murray?
Nenhuma conexão oficial foi estabelecida. Maura Murray desapareceu em 9 de fevereiro de 2004 em Haverhill, New Hampshire, a cerca de 64 quilômetros de Montgomery, Vermont. Os dois casos compartilham proximidade geográfica e cronológica — duas jovens desaparecidas num corredor rural do norte da Nova Inglaterra com intervalo de seis semanas — mas os investigadores não confirmaram publicamente qualquer vínculo.
O que a cena na fazenda revelou aos investigadores?
O carro de Brianna foi encontrado encravado de ré na parede de uma fazenda abandonada na Route 118, com força suficiente para causar danos visíveis ao veículo. A bolsa, o contracheque e os demais pertences dela estavam no interior do carro. Não havia sinais de luta nem sangue. A trajetória inversa do veículo jamais foi explicada de forma satisfatória.
Alguém foi indiciado pelo desaparecimento de Brianna Maitland?
Não. A Polícia Estadual de Vermont investigou o caso por mais de duas décadas sem efetuar prisões. Ao longo dos anos foram identificados diversos suspeitos de interesse. O caso continua aberto e classificado como investigação de desaparecimento suspeito.
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