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Wu Zetian e a Morte de Sua Filha Recém-Nascida: A Trama Que Construiu uma Imperatriz
13 de jul. de 2026Escândalos Reais6 min de leitura

Wu Zetian e a Morte de Sua Filha Recém-Nascida: A Trama Que Construiu uma Imperatriz

A história de que Wu Zetian sufocou a própria bebê para incriminar uma rival é um dos escândalos reais mais debatidos da história chinesa. Eis o que o registro realmente sustenta.

De todos os escândalos que se agarram a Wu Zetian, a única mulher a governar a China como imperadora em nome próprio, nenhum é mais perturbador, ou mais contestado, do que a acusação de que ela sufocou a própria filha recém-nascida para incriminar uma rival e abrir caminho ao trono. A história vem sendo repetida por mais de mil anos como fato estabelecido. Também é, há tanto tempo quanto isso, alvo de suspeita histórica pontual: foi um crime real, ou a peça mais eficaz de assassinato de reputação da história da corte chinesa, direcionada a uma mulher que cronistas posteriores estavam determinados a condenar?

A corte e o que estava em jogo

O escândalo se desenrola dentro da corte da dinastia Tang em meados dos anos 600, um dos impérios mais poderosos e cosmopolitas do planeta na época. O imperador Gaozong ocupava o trono, um governante que historiadores posteriores descreveriam como capaz, mas frequentemente doente e, segundo muitos relatos, facilmente influenciável pelos que estavam mais próximos dele. Sua imperatriz, Wang, ocupava a posição formal de primeira esposa, mas não havia gerado um filho homem, uma vulnerabilidade que importava enormemente numa corte onde a sucessão passava por herdeiros masculinos e a posição de uma imperatriz sem filhos nunca era totalmente segura.

Nessa corte entrou Wu Zhao, ex-consorte júnior do próprio pai de Gaozong, o imperador Taizong. Segundo o relato tradicional, após a morte de Taizong, Wu passou um tempo num convento budista, como era costume para uma ex-consorte imperial sem filhos, antes de Gaozong trazê-la de volta ao palácio como sua própria concubina, supostamente por sugestão da própria imperatriz Wang. Wang, segundo esse relato, esperava que Wu servisse como contrapeso a outra consorte, Xiao Shufei, que havia se tornado uma séria rival pelo favor de Gaozong. Se verdadeiro, foi um erro de cálculo sério.

Os personagens

A imperatriz Wang detinha posição e autoridade cerimonial, mas não tinha um filho homem e, cada vez mais, também não tinha o afeto do imperador. Xiao Shufei desfrutava do favor de Gaozong e lhe havia dado filhos, o que a tornava a rival mais imediata de Wang na corte. Wu Zhao, trazida como um suposto instrumento da própria estratégia de Wang, rapidamente se tornou algo muito mais perigoso para as duas mulheres: uma favorita por direito próprio, ambiciosa, politicamente astuta e, segundo relatos posteriores, inteiramente disposta a eliminar quem quer que estivesse entre ela e o poder real.

No início dos anos 650, Wu já havia dado a Gaozong pelo menos uma filha e estava grávida de novo, ou havia dado à luz outra criança recentemente, dependendo de qual relato se segue. Sua posição na corte crescia depressa, e tanto a imperatriz Wang quanto a consorte Xiao teriam reconhecido a ameaça tarde demais.

O escândalo

A história tradicional, registrada nas histórias oficiais Tang compiladas gerações depois dos eventos, sustenta que a filha recém-nascida de Wu Zetian morreu subitamente no berço, e que Wu acusou a imperatriz Wang, que havia visitado a bebê pouco antes, de tê-la assassinado secretamente por ciúme. Segundo esse relato, Gaozong, já inclinado a favorecer Wu e cada vez mais convencido de que Wang era tanto estéril quanto cruel, aceitou a acusação. Wang foi destituída do título pouco depois, e Wu foi elevada a imperatriz em seu lugar.

O que as histórias tradicionais descrevem em seguida se lê menos como uma disputa de sucessão e mais como uma purga. Wang e Xiao Shufei foram presas e, segundo o registro oficial, ambas acabaram sendo mortas por ordem de Wu, com cronistas posteriores acrescentando detalhes sombrios, quase certamente embelezados, sobre o tratamento final delas, projetados para reforçar a crueldade de Wu perante o leitor.

O boato contra o registro

Aqui o escândalo se divide claramente em duas histórias concorrentes, e separá-las importa enormemente.

A narrativa oficial, preservada no Livro Antigo de Tang, no Livro Novo de Tang e na crônica posterior Zizhi Tongjian, apresenta o infanticídio como fato estabelecido: Wu assassinou o próprio filho e incriminou uma imperatriz inocente para arquitetar sua ascensão. Essa é a versão repetida em relatos populares há séculos, e ela se encaixa perfeitamente numa narrativa mais ampla que essas mesmas histórias constroem em torno de Wu Zetian como uma usurpadora implacável e antinatural de um trono que, na teoria política confuciana, nenhuma mulher deveria ocupar em nome próprio.

O problema complicador, que muitos historiadores modernos apontam diretamente, é o momento e a autoria. A história do infanticídio não parece ter sido registrada por contemporâneos nos anos imediatamente posteriores ao suposto ocorrido. Ela surge em histórias oficiais compiladas gerações depois, sob dinastias e historiadores de corte com um interesse político e ideológico claro em deslegitimar a memória de Wu Zetian, já que ela permanecia, mesmo um século após sua morte, a exceção flagrante de toda a teoria confuciana do governo imperial legítimo e exclusivamente masculino. Um historiador escrevendo sob uma dinastia posterior que tinha todo interesse institucional em retratar uma imperadora mulher como um monstro não é uma testemunha neutra, e a ausência da história nos primeiros registros sobreviventes é, para muitos estudiosos, um sinal de alerta sério, e não uma lacuna menor.

Nada disso prova que o infanticídio não aconteceu. A mortalidade infantil na China do século VII era extremamente alta independentemente de qualquer crime, e a morte súbita de uma criança numa corte politicamente carregada poderia facilmente ter sido reinterpretada, de forma retroativa e interesseira, como assassinato pela facção que mais se beneficiasse da acusação. O que o registro documentado de fato sustenta é mais restrito e mais cauteloso do que a versão popular: uma criança morreu, a imperatriz Wang foi acusada e destruída, e Wu Zetian se beneficiou enormemente do resultado. Se Wu arquitetou a morte da criança, explorou uma tragédia genuína, ou foi depois culpada por historiadores hostis por uma trama que não orquestrou de fato, continua sendo uma questão em aberto que nenhuma fonte primária sobrevivente resolve de forma definitiva.

As consequências

Seja qual for a verdade sobre a morte da bebê, suas consequências políticas foram imediatas e totais. A imperatriz Wang foi formalmente deposta em 655, e Wu Zetian foi instalada em seu lugar, marcando o início de uma ascensão extraordinária e, na história chinesa, jamais repetida ao poder. Como imperatriz, Wu passou a assumir cada vez mais o controle direto dos assuntos de Estado, especialmente conforme a saúde de Gaozong declinava em seus últimos anos, governando na prática muito antes de governar de nome.

Depois da morte de Gaozong, Wu manobrou através dos breves reinados de dois de seus próprios filhos antes de depor formalmente o segundo e se declarar imperadora em 690, fundando uma nova dinastia que chamou de Zhou. Ela governou por cerca de quinze anos, um reinado que historiadores posteriores criticariam duramente por suas purgas palacianas e seu aparato de polícia secreta, ao mesmo tempo em que lhe creditam, com mais relutância, competência administrativa genuína, exames de serviço público ampliados e estabilidade territorial. Em 705, uma Wu já idosa foi pressionada a abdicar em favor do filho, restaurando a dinastia Tang, e morreu ainda naquele mesmo ano.

A morte da filha recém-nascida, tragédia real ou ficção conveniente, está bem no início desse arco improvável: o escândalo mais consequente numa corte cheia deles, e aquele que os historiadores modernos ainda têm mais dificuldade de separar por completo da propaganda dos historiadores que vieram depois dela.

Para outro escândalo de corte em que fato documentado e cronistas hostis puxam para direções opostas, veja Rasputin e os Romanov. Para outra mulher que tomou um trono por meio de uma manobra palaciana decisiva, veja o golpe de Catarina, a Grande, contra o próprio marido.

Respostas Rápidas

Perguntas frequentes sobre este tema

Wu Zetian realmente matou a própria filha recém-nascida?

O relato tradicional, registrado em histórias oficiais posteriores da dinastia Tang, diz que ela sufocou a filha recém-nascida e culpou a imperatriz Wang pelo assassinato. Muitos historiadores modernos consideram esse relato pouco confiável, argumentando que soa mais como uma fábula moral construída por historiadores da corte posteriores, hostis a uma governante mulher, do que como um evento documentado e testemunhado na época.

Quem foi a imperatriz Wang e o que aconteceu com ela?

A imperatriz Wang foi a primeira esposa e imperatriz do imperador Gaozong antes da ascensão de Wu Zetian. Ela foi acusada de assassinar a criança recém-nascida, destituída do título, presa e, por fim, executada por ordem de Wu, junto com uma consorte rival, Xiao Shufei, abrindo caminho para que Wu se tornasse imperatriz.

A história do infanticídio é historicamente confiável?

A história não aparece nos primeiros registros sobreviventes do período e surge em histórias oficiais compiladas gerações depois, sob dinastias que tinham razões políticas para retratar Wu Zetian de forma negativa. Essa lacuna levou muitos historiadores a tratar o relato com real ceticismo, em vez de como fato estabelecido.

Wu Zetian realmente se tornou imperadora da China?

Sim. Em 690, ela depôs o próprio filho e se declarou a imperadora fundadora de uma nova dinastia que chamou de Zhou, tornando-se a única mulher na história chinesa a governar em nome próprio como imperadora, e não como imperatriz viúva ou regente.

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